A «Regra do Persuasor» — Breve contextualização
Após vários anos de revisão e comentários públicos, em 24 de março de 2016, o Departamento do Trabalho dos Estados Unidos (DOL) emitiu a sua nova interpretação da chamada «Regra do Persuasor». A nova interpretação alterou mais de 50 anos de política do DOL, segundo a qual empregadores e consultores não tinham a obrigação de relatar “atividades persuasivas” (ou seja, conselhos, memorandos, boletins, etc. destinados a persuadir os funcionários a votar contra a sindicalização), desde que não houvesse contato direto entre o consultor e os funcionários-alvo. De acordo com a nova interpretação de março de 2016, os empregadores e consultores teriam sido obrigados a realizar uma análise complexa e pouco clara do trabalho realizado, a fim de determinar se as atividades do consultor eram «conselhos» (não reportáveis) ou «atividades persuasivas» (reportáveis), conforme a nova definição.
Grupos separados de demandantes em três estados — Arkansas, Texas e Minnesota — entraram com uma ação judicial alegando, entre outras coisas, que o DOL havia excedido a sua autoridade delegada e que a nova «interpretação» era inválida.
Situação dos casos
O juiz no caso National Federation of Independent Business et al v. Perez, apresentado em Lubbock, Texas, foi o primeiro a agir. Em 28 de junho de 2016, dias antes da regulamentação entrar em vigor, ele deferiu o pedido dos demandantes para uma ordem de restrição temporária, bloqueando assim a aplicação da nova interpretação em todo o país. Nas últimas semanas, o mesmo juiz proferiu sentença final, proibindo «permanentemente» o Departamento do Trabalho, em âmbito nacional, de «implementar todos e quaisquer aspectos» da interpretação de 24 de março de 2016.
O juiz do caso Arkansas, Arkansas et al v. Perez (Secretário do Trabalho), concedeu uma suspensão indefinida do processo judicial, instruindo as partes a apresentarem relatórios de situação até 31 de março de 2017. Curiosamente, o DOL não se opôs a essa ação do tribunal.
Por fim, no caso de Minnesota, Associated Builders and Contractors of Arkansas et al v. Perez, o juiz negou provimento aos pedidos de julgamento sumário (nos quais os empregadores demandantes e o DOL solicitavam a rejeição do caso), afirmando que:
«... o Tribunal concorda com os demandantes que há motivos significativos para acreditar que a nova administração irá retirar a Regra Persuasora — ou, pelo menos, recusar-se a defender a validade da Regra Persuasora na sua forma atual.» O Tribunal também observou que o juiz de Lubbock já havia proibido a aplicação da regra em todo o país.
Embora, em teoria, o DOL possa recorrer dessas ações, dada a sua posição nos processos pendentes e as realidades da mudança política que está prestes a acontecer, tal ação por parte do DOL é extremamente improvável.
Conclusão e perspetivas futuras
Efetivamente, a expansão das «atividades persuasivas» de 24 de março de 2016 está morta e, pelo menos num futuro previsível, não será revivida. Alertamos, no entanto, que o litígio se concentrou inteiramente na nova interpretação da regra de 24 de março de 2016.
A regra original, com a sua obrigação de relatar atividades que envolvam contacto direto com funcionários, não foi contestada e continua em vigor. A decisão do juiz de Minnesota poderia ser interpretada como sugerindo que toda a Regra de Persuasão havia sido bloqueada ou retirada. No entanto, isso não fazia parte do processo judicial. Além disso, a «regra» original está contida num estatuto (29 USC §433(b)), o que significa que a retirada dessa regra exigiria que o Congresso revogasse ou revisasse a legislação. Nestes tempos de incerteza, isso não está fora do âmbito das possibilidades; mas, até o momento, não ouvimos falar de nenhuma defesa dessa ação. No entanto, mesmo que a regra original não seja revogada, resta saber com que vigor o novo governo irá aplicá-la.