Navegando num mundo em mudança: riscos geopolíticos e o papel do seu conselho de administração
O panorama global está a mudar. Os dias de comércio livre e ordem internacional unificada ficaram para trás. Um jantar recente organizado pela NACD Northern California Chapter e pela Foley & Lardner LLP reuniu diretores de conselhos para discutir essas mudanças críticas e o seu impacto nos negócios. Os sócios da Foley especializados em direito comercial, Louis Lehot e Brian Wheeler (com sede no norte da Califórnia), trouxeram o convidado especial Dr. Christopher Swift, da área de Defesa e Investigações de Execução Governamental da Foley (com sede em Washington, D.C.), para fazer uma apresentação e liderar uma discussão sobre o estado do comércio internacional e os impactos para os membros do conselho.
A mudança de paradigma:
O Dr. Swift iniciou a discussão delineando três mudanças de paradigma que estão a remodelar a ordem dos negócios:
- Económico: Uma mudança da globalização para a regionalização, com os países a concentrarem-se no comércio dentro das suas próprias esferas de influência.
- Político: Uma mudança da integração para a fragmentação, com um aumento do nacionalismo e da competição entre as grandes potências.
- Sociológico: Um declínio na tomada de decisões baseadas em factos e um aumento nas respostas emocionais impulsionadas pelo medo e pela apreensão.
As consequências para as empresas:
As lentes através das quais o mundo é visto, e especificamente essas mudanças de paradigma, traduzem-se em implicações reais para as empresas:
- Aumento das restrições: O comércio e o investimento enfrentam obstáculos crescentes, à medida que os países priorizam o que é considerado do «interesse nacional» ou uma questão de «segurança nacional» em detrimento das economias de escala obtidas com o livre acesso ao mercado.
- Subjetividade acima da objetividade: as decisões são cada vez mais baseadas em percepções e posturas políticas, em vez de fatos, tornando o planeamento empresarial mais desafiante.
- Securitização: Questões comerciais comuns estão a ser enquadradas como ameaças à segurança nacional, complicando ainda mais o comércio internacional.
Responsabilidade do Conselho:
Neste ambiente volátil, os conselhos de administração têm um papel fundamental a desempenhar:
- Promover a avaliação de riscos: Os conselhos precisam incentivar a administração a identificar e avaliar ativamente os riscos potenciais decorrentes de ameaças geopolíticas e mudanças regulatórias. Isso inclui avaliar vulnerabilidades, considerar diferentes cenários e desenvolver estratégias de mitigação.
- Fazendo as perguntas certas: Aqui estão algumas perguntas importantes que os conselhos devem fazer à administração:
- Como recolhemos e analisamos informações sobre desenvolvimentos geopolíticos?
- Que planos de crise existem para diferentes cenários? Com que frequência são revistos?
- Como é que a administração se mantém informada sobre as alterações regulamentares e os requisitos de conformidade relacionados com os riscos geopolíticos?
- Como estamos a garantir a conformidade em mercados voláteis?
- A nossa cadeia de abastecimento é resiliente a perturbações geopolíticas? Temos planos de contingência?
- Como é que o conselho de administração pode apoiar a gestão na resolução destes desafios?
- Como as questões geopolíticas podem afetar a nossa cultura empresarial e os nossos funcionários em todo o mundo?
- A administração realizou um exercício simulado para traçar estratégias sobre o impacto de possíveis desenvolvimentos geopolíticos?
- A diretoria pode realizar um exercício simulado para praticar o seu próprio papel?
- Existe um plano ou manual pronto para responder a tal crise?
Conclusão:
Ao envolverem-se ativamente com essas questões, os conselhos podem ajudar as suas empresas a navegar pelas complexidades de um cenário geopolítico em constante mudança. Desenvolver resiliência e adaptar-se às novas realidades será crucial para o sucesso nos próximos anos.