Proteger as cadeias de abastecimento digitais: Enfrentar as ameaças cibernéticas nas redes logísticas

Principais conclusões:
- Em ascensão: os ciberataques através da cadeia de abastecimento aumentaram mais de 400% nos últimos anos. Os líderes precisam agir.
- Melhorar a segurança cibernética de terceiros: auditar regularmente as práticas de segurança cibernética dos fornecedores e limitar o acesso deles ao sistema para reduzir a vulnerabilidade nas redes de logística digital.
- Controle o acesso à rede: implemente segmentação de rede e autenticação multifatorial para impedir o acesso não autorizado e conter violações nas operações logísticas.
- IoT e tecnologia operacional seguras: reforce a segurança dos dispositivos IoT nas redes logísticas para evitar sabotagem cibernética, isolando os terminais dos sistemas críticos para maior proteção.
- Prepare planos de resposta a incidentes: crie e teste um plano de resposta a incidentes com exercícios regulares para garantir uma recuperação rápida e minimizar interrupções em emergências cibernéticas.
Uma versão resumida deste artigo foi publicada originalmente na Supply & Demand Chain Executive em agosto de 2025.
Numa era de rápida digitalização da cadeia de abastecimento e conectividade global, as ameaças cibernéticas tornaram-se uma preocupação ao nível da administração para as empresas de logística. As mesmas tecnologias que permitem entregas just-in-time, visibilidade de ponta a ponta e coordenação baseada na nuvem também introduzem novos riscos. Os ciberataques através da cadeia de abastecimento aumentaram mais de 400% nos últimos anos. As redes interconectadas significam que mesmo uma breve interrupção de TI num ponto pode causar perturbações generalizadas. Por exemplo, um ataque de ransomware em 2024 ao sistema central de uma transportadora deixou os clientes impossibilitados de rastrear remessas, criando um caos logístico em todas as regiões. Esses incidentes demonstram como interrupções breves podem causar efeitos em cascata em toda a cadeia de abastecimento, especialmente à medida que mais operações de frete adotam sistemas digitais. Os executivos agora reconhecem que a segurança cibernética na logística é mais do que apenas uma questão de TI — é uma necessidade estratégica de negócios para manter as mercadorias em movimento e proteger a reputação em um mercado altamente conectado.
Principais riscos cibernéticos enfrentados pelas cadeias de abastecimento atualmente
Nenhuma empresa no ecossistema da cadeia de abastecimento está imune a ameaças cibernéticas. Uma análise descobriu que 27 incidentes cibernéticos divulgados publicamente afetaram empresas de transporte e logística em um único período de 12 meses. A seguir estão alguns dos riscos cibernéticos mais urgentes enfrentados pelas cadeias de abastecimento:
- Ataques de ransomware:O ransomware continua a ser uma grande ameaça para as operações logísticas. Os atacantes infiltram-se na rede de uma empresa, encriptam dados ou sistemas críticos e exigem pagamento para restaurar o acesso. Isso pode paralisar as operações de transporte e armazenamento. No início de 2022, a transportadora global Expeditors International teve de encerrar a maioria dos seus sistemas operacionais após um ciberataque, ficando com capacidade limitada para organizar envios ou gerir alfândegas. Esse tempo de inatividade não só afeta as receitas e o atendimento ao cliente, como também pode causar interrupções na cadeia de abastecimento, atrasando as entregas para muitas empresas. Os danos podem ser graves — 60% das pequenas empresas encerram as suas atividades no prazo de seis meses após um grande ciberataque. Um exemplo claro é a KNP Logistics, do Reino Unido, que entrou em insolvência em 2023 após uma violação de ransomware que paralisou os seus sistemas. Esses casos mostram como o ransomware pode interromper as redes logísticas e até mesmo ameaçar a sobrevivência dos parceiros da cadeia de abastecimento. Os atacantes estão a visar ativamente o setor; relatórios de inteligência indicam que fóruns criminosos estão a vender acesso ilegal a redes de empresas de transporte e expedição — acesso que poderia ser usado para implantar ransomware e interromper a cadeia de abastecimento global.
- Violações por terceiros e fornecedores:As cadeias de abastecimento envolvem naturalmente muitas relações com terceiros — corretores de frete, fornecedores, vendedores de tecnologia, parceiros de logística — e os atacantes costumam visar o elo mais fraco. Uma violação num fornecedor ou prestador de serviços menor ligado a uma empresa maior pode funcionar como um cavalo de Tróia, concedendo acesso ao alvo principal. Muitas organizações ainda têm dificuldade em manter total visibilidade e controlo sobre as práticas de cibersegurança dos seus parceiros, criando lacunas adicionais que os cibercriminosos rapidamente exploram. Por exemplo, um fornecedor de TI com segurança deficiente pode ser hackeado como um trampolim para os sistemas centrais de um transportador, ou as credenciais comprometidas de um parceiro de contabilidade podem levar ao roubo de dados da cadeia de abastecimento. Esta rota de ataque indireta, que aproveita a confiança e a conectividade entre as empresas, levou a inúmeras violações de alto perfil. É essencialmente uma versão digital do velho ditado que diz que uma corrente é tão forte quanto o seu elo mais fraco. Fortalecer a gestão de riscos de terceiros é, portanto, essencial para fechar essas portas dos fundos (mais sobre isso nas melhores práticas abaixo).
- Ataques à cadeia de fornecimento de software:além de invadir fornecedores conhecidos, os atacantes também se infiltram mais profundamente na cadeia de fornecimento digital, adulterando o software e os serviços de TI dos quais as empresas de logística dependem. Num ataque à cadeia de fornecimento de software, os hackers sabotam uma atualização ou componente de software confiável para espalhar malware amplamente. A notória violação da SolarWinds Orion em 2020 demonstrou essa ameaça: atacantes desconhecidos se infiltraram numa atualização de software de rotina, comprometendo milhares de organizações a jusante assim que instalaram a atualização infectada. Da mesma forma, o incidente da Kaseya em 2021 viu o ransomware se espalhar para dezenas de empresas por meio de uma ferramenta de gestão de TI hackeada. Esses ataques exploram a confiança que as empresas depositam no software empresarial e nos fornecedores de nuvem. Uma única plataforma ou biblioteca corrompida pode afetar um grupo maior de vítimas, explorando vulnerabilidades em componentes partilhados. À medida que as operações logísticas dependem cada vez mais de aplicações SaaS de terceiros, sistemas de rastreamento e código-fonte aberto, elas se tornam mais vulneráveis a esse tipo de infiltração oculta. Mesmo uma pequena falha de codificação em um sistema de gestão de armazém ou uma integração de API comprometida pode servir como ponto de entrada para uma violação que se espalha por muitos parceiros da cadeia de abastecimento.
- Vulnerabilidades da IoT e da tecnologia operacional (OT):As redes logísticas modernas estão repletas de dispositivos conectados — desde sensores IoT que rastreiam remessas e telemática em camiões até sistemas de classificação automatizados e controlos industriais em armazéns e portos inteligentes. Essa revolução da Internet das Coisas (IoT) oferece eficiência incrível e visibilidade em tempo real, mas também aumenta a superfície de ataque. Cada sensor conectado, leitor RFID, câmara ou unidade de telemetria de veículo é essencialmente um ponto de entrada na Internet que pode ser explorado se não for devidamente protegido. A disseminação de dispositivos IoT introduz novas vulnerabilidades que devem ser gerenciadas de forma eficaz. Por exemplo, um hacker que sequestra uma câmara vulnerável de armazém ou um sensor de temperatura pode encontrar uma maneira de entrar na rede corporativa maior. Num caso notável, um casino foi invadido através de um termómetro ligado à Internet num aquário — um aviso para qualquer empresa que ligue dispositivos não convencionais à sua rede. Na logística, os sistemas de tecnologia operacional, como guindastes portuários, controlos de oleodutos ou sistemas de comutação ferroviária, também são alvos de sabotagem cibernética. Um ataque OT bem sincronizado pode interromper o fluxo físico de mercadorias — imagine o sistema de manuseio de carga de um porto sendo congelado por malware, paralisando dezenas de navios. A integração de TI e OT em cadeias de abastecimento digitalizadas significa que os ciberataques agora podem causar falhas reais na cadeia de abastecimento. Proteger os terminais IoT e isolá-los dos sistemas de TI centrais é, portanto, uma prioridade urgente.
Por que a conectividade digital aumenta a exposição
Essas ameaças estão a aumentar juntamente com a transformação digital do setor. A conectividade global, as plataformas em nuvem e a automação são uma faca de dois gumes para as cadeias de abastecimento — oferecendo velocidade e escalabilidade, mas também aumentando os riscos cibernéticos. Existem várias razões principais pelas quais a digitalização aumentou o perfil de risco cibernético das redes logísticas.
- Ampla superfície de ataque:os dados e processos da cadeia de abastecimento que antes ficavam isolados ou eram registrados em papel agora estão acessíveis online em todo o mundo. Plataformas logísticas baseadas na nuvem, integrações de API entre parceiros e redes de IoT criam uma ampla superfície de ataque interconectada para hackers. Uma vulnerabilidade em qualquer sistema conectado — seja o sistema de um pequeno fornecedor ou um portal de gestão de armazéns na nuvem — pode servir como porta de entrada para toda a rede. A rápida digitalização e a crescente complexidade da TI da cadeia de abastecimento proporcionaram aos adversários mais pontos de entrada, enquanto o apelo de informações de alto valor acessíveis através de um único ponto de entrada torna esses ataques mais atraentes. Essencialmente, hackear um link (com um e-mail de phishing ou malware) pode render recompensas exorbitantes, desbloqueando o acesso aos dados ou operações de várias organizações.
- Interdependência e impacto em cascata:a natureza fortemente interligada das cadeias de abastecimento modernas amplifica o impacto de qualquer incidente cibernético isolado, destacando a importância de medidas robustas de segurança cibernética. Atualmente, as empresas estão digitalmente ligadas a fornecedores e parceiros logísticos, partilhando dados e conectando sistemas para melhorar a eficiência. No entanto, essa interdependência significa que uma falha de segurança num ponto pode se espalhar rapidamente. Por exemplo, uma violação no sistema de programação de rotas de uma empresa de transporte rodoviário pode interromper os prazos de distribuição de retalho para vários clientes. Isso foi observado no ataque de agosto de 2024 à JAS Worldwide, em que a interrupção do sistema central de uma transportadora afetou o rastreamento de remessas para muitos clientes em todo o mundo. Da mesma forma, o surto do malware NotPetya em 2017 (inicialmente através de um software ucraniano de cadeia de abastecimento) acabou por encerrar as operações da Maersk e de outras multinacionais, mostrando como um ataque pode propagar-se através de software de cadeia de abastecimento em rede. Basicamente, quanto mais conectada for a rede logística, maior será o impacto potencial de um evento cibernético. A integração digital melhorou a eficiência da cadeia de abastecimento, mas também aumenta a vulnerabilidade se a cibersegurança for deficiente.
- Desafios na supervisão:embora as grandes empresas possam investir pesadamente em segurança cibernética, elas geralmente dependem de parceiros menores que podem não ter os mesmos recursos ou maturidade. As cadeias de abastecimento globais podem envolver centenas de fornecedores e prestadores de serviços com níveis de segurança variados. Manter defesas fortes e consistentes em uma rede tão diversificada é um desafio. A visibilidade diminui a cada nível de subcontratado. Muitas organizações não têm conhecimento das práticas de segurança dos seus fornecedores, o que dificulta a identificação de pontos fracos. Essa colcha de retalhos de defesas cria vulnerabilidades que os hackers procuram explorar. Além disso, com os serviços em nuvem, parte do controlo passa para o fornecedor de nuvem, pelo que as empresas devem confiar que esses fornecedores são seguros e estão devidamente configurados. Configurações incorretas no armazenamento em nuvem ou nas definições de acesso são uma causa comum de violações. Em suma, a digitalização muitas vezes ultrapassa a supervisão de segurança, deixando lacunas na armadura.
- Dados e automação de alto risco:à medida que a logística se torna digital, mais operações críticas e dados confidenciais são armazenados online. A robótica de armazéns, os sistemas de entrega autônomos e as previsões baseadas em IA dependem do controlo digital, que, se comprometido, pode causar interrupções físicas ou erros dispendiosos. Grandes quantidades de dados da cadeia de abastecimento — como faturas comerciais, pedidos de clientes e registos de rastreamento — residem em bases de dados na nuvem, tornando-os alvos atraentes para violações de dados ou extorsão por ransomware. Estudos recentes relatam que o custo médio de uma violação de dados no setor de transportes é de US$ 4,18 milhões. Além do impacto financeiro imediato, uma violação prejudica a confiança entre os parceiros da cadeia de abastecimento e os clientes. Com tanto em jogo, os invasores sabem que as organizações podem se sentir pressionadas a pagar resgates ou resolver incidentes discretamente, enquanto no passado, um problema localizado poderia ter sido contido. As joias da coroa digital da logística — incluindo propriedade intelectual, como designs de produtos e ferramentas de visibilidade da cadeia de abastecimento em tempo real — são ativos valiosos, e a sua exposição aumenta a urgência de uma proteção robusta.
A tendência para uma logística integrada, em tempo real e baseada na nuvem, embora ofereça vantagens claras, também aumentou o risco de ameaças cibernéticas numa escala sem precedentes. Há uma década, os incidentes cibernéticos no transporte marítimo e na logística eram bastante raros; em 2023, somente o setor marítimo havia sofrido pelo menos 64 incidentes cibernéticos, contra apenas três uma década antes. Essa tendência ressalta a importância de desenvolver a resiliência cibernética juntamente com a inovação digital em todas as cadeias de abastecimento. A boa notícia é que, com maior conscientização e medidas proativas, as empresas podem aproveitar os benefícios da digitalização e, ao mesmo tempo, gerenciar os riscos de forma eficaz.
Melhores práticas para proteger redes logísticas digitais
Perante estas ameaças em constante evolução, o que podem os executivos da cadeia de abastecimento fazer para reforçar as defesas cibernéticas das suas organizações? É necessária uma abordagem abrangente — que combine salvaguardas tecnológicas, melhorias nos processos e medidas centradas nas pessoas. Abaixo estão várias práticas recomendadas para melhorar a cibersegurança nas operações de logística e cadeia de abastecimento.
- Implemente uma gestão rigorosa dos riscos dos fornecedores:como a exposição a terceiros representa uma grande vulnerabilidade, as empresas devem avaliar e gerir formalmente a cibersegurança dos seus fornecedores e prestadores de serviços logísticos. Isso envolve a realização de auditorias de segurança regulares dos parceiros, a aplicação do cumprimento das normas estabelecidas e a inclusão de requisitos de cibersegurança nos contratos. Para fornecedores críticos, considere exigir certificações ou adesão a estruturas como as diretrizes ISO 27001 ou NIST. Limite o acesso dos parceiros aos seus sistemas e dados, aplicando o princípio do privilégio mínimo para quaisquer ligações digitais. Ao avaliar e monitorizar as posturas de segurança dos fornecedores, pode identificar pontos fracos antecipadamente e evitar surpresas dispendiosas. Esta abordagem colaborativa ajuda a construir uma cadeia de abastecimento unificada e segura, na qual todas as partes seguem protocolos rigorosos. Lembre-se de que as suas defesas cibernéticas são tão fortes quanto o fornecedor mais fraco com acesso à rede da sua empresa.
- Segmentar redes e reforçar os controlos de acesso:uma forma importante de limitar os danos causados por invasões cibernéticas é impedir que os invasores se movam livremente pela sua rede. Os ambientes de TI de logística devem ser projetados com controlos de acesso robustos e segmentação de rede. Na prática, isso significa separar sistemas críticos, como sistemas de controlo de armazéns, ERP e dados de clientes, de zonas menos sensíveis, como TI de escritórios ou redes de convidados, e restringir o acesso entre eles. A adoção de uma abordagem de confiança zero pode reduzir significativamente o risco: nunca confie automaticamente em nenhum dispositivo ou utilizador, mesmo dentro do perímetro, sem verificação. Todas as solicitações de acesso devem ser verificadas minuciosamente, e os utilizadores devem receber apenas as permissões mínimas necessárias. Essas medidas criam barreiras internas que confinam um invasor, semelhantes aos compartimentos estanques de um navio. Conforme observado pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, definir limites de acesso e microsegmentar a rede permite monitorar e controlar cada segmento, ajudando a isolar uma violação em um segmento antes que ela se espalhe. As medidas práticas incluem a implementação de autenticação multifator (MFA) para todo o acesso remoto ou privilegiado (para evitar que senhas roubadas sejam suficientes para entrar), o uso de ferramentas modernas de gestão de identidade e acesso e a implantação de firewalls de última geração para monitorar o tráfego entre segmentos de rede. Ao restringir o acesso e a segmentação, você fortalece consideravelmente os seus sistemas logísticos contra movimentos laterais de invasores.
- Eduque e treine funcionários em todos os níveis:o erro humano continua sendo um dos maiores riscos à segurança cibernética em todos os setores, incluindo logística. E-mails de phishing, mensagens falsas e esquemas de engenharia social têm como alvo os funcionários para roubar credenciais ou induzi-los a abrir as portas para invasores sem saber. Portanto, é fundamental criar uma cultura consciente sobre segurança cibernética. Ofereça treinamento contínuo em segurança cibernética para a equipe — não apenas uma sessão única, mas educação contínua que acompanhe a evolução das ameaças. Os funcionários devem aprender a identificar e-mails ou links suspeitos, usar senhas fortes e autenticação multifatorial e seguir as políticas de tratamento de dados. Os trabalhadores da linha de frente em armazéns e motoristas que usam dispositivos móveis também precisam de orientação sobre práticas seguras. Um utilizador sem formação pode clicar acidentalmente num link malicioso que uma pessoa mais experiente reconheceria e evitaria. Incentivar os utilizadores a parar e pensar antes de clicar pode ajudar a economizar milhões em custos de incidentes para uma organização. Pequenas ações conscientes podem fazer uma grande diferença para manter todos seguros. Incentive os funcionários a relatarem prontamente possíveis incidentes de segurança ou tentativas de phishing, sem medo de retaliação ou culpa. Testes simulados de phishing e módulos de aprendizagem interativos podem ajudar a reforçar bons hábitos. A liderança deve enfatizar que a cibersegurança é responsabilidade de todos, desde a diretoria até a doca de carga. Ao transformar sua equipe em uma forte linha de defesa, você reduz significativamente o risco de uma violação. Em resumo, invista no seu firewall humano: funcionários bem treinados e vigilantes que podem agir como olhos e ouvidos para detectar e prevenir ataques antes que eles se agravem.
- Desenvolva e treine um plano de resposta a incidentes:mesmo com a melhor prevenção, alguns ataques ainda podem ocorrer. É por isso que ter um plano robusto de resposta a incidentes (IR) é fundamental — ele é o seu manual para limitar os danos e recuperar-se rapidamente quando ocorre uma crise cibernética. Desenvolva um plano de IR claro que especifique quem assume o comando durante um incidente, quais etapas seguir (desde a investigação e contenção até a comunicação e recuperação) e como manter os negócios em funcionamento nesse meio tempo. Esse plano deve abordar especialmente cenários relevantes para as operações da cadeia de abastecimento — por exemplo, como responder a um ataque de ransomware que desativa o seu sistema de gestão de transporte ou uma violação de dados que expõe os registos de envio dos clientes. Defina procedimentos de backup (pode mudar temporariamente para processos manuais ou sistemas alternativos?) e garanta que os backups de dados sejam facilmente acessíveis e isolados da rede para que não possam ser encriptados por um invasor. Não basta ter um plano no papel — também deve testá-lo regularmente por meio de simulados e exercícios teóricos. Simule um ciberataque à sua rede logística e oriente a sua equipa na resposta. Isto identificará lacunas na sua preparação e criará memória muscular para que, se ocorrer um incidente real, todos saibam qual é o seu papel. O tempo é fundamental durante uma violação, e uma resposta treinada pode significar a diferença entre um pequeno contratempo e uma grande interrupção na cadeia de abastecimento. As orientações do setor destacam que os transitários e os fornecedores de logística devem desenvolver um plano de resposta a incidentes completo e realizar simulações regulares para manter a preparação. A preparação permite uma resposta eficaz, reduz o tempo de inatividade e as perdas e tranquiliza os clientes e parceiros quanto à sua capacidade de gerir crises.
- Mantenha sistemas atualizados e defesas em camadas:a cibersegurança é um processo contínuo, não um projeto pontual. Certifique-se de que todos os seus softwares, sistemas e dispositivos estejam atualizados com os patches de segurança mais recentes. Muitos ataques (incluindo alguns ransomwares e violações) são bem-sucedidos ao explorar vulnerabilidades conhecidas que poderiam ter sido corrigidas. Crie um inventário das suas aplicações críticas — desde software de gestão de armazéns e roteamento até firmware de dispositivos IoT — e fique atento às atualizações. Use ferramentas automatizadas, se possível, para gerenciar patches. Além disso, implemente uma estratégia de defesa em profundidade, que envolve várias camadas de controlos de segurança que se apoiam mutuamente. Isso pode incluir o uso de criptografia para dados confidenciais (tanto em trânsito quanto em repouso) para que, mesmo que os invasores interceptem ou roubem os dados, eles permaneçam ilegíveis. Use deteção de intrusão e monitoramento contínuo da rede para identificar atividades incomuns antecipadamente. Faça backups regulares de dados importantes offline. Pense no seguro cibernético como uma rede de segurança financeira para os piores cenários. Ao combinar tecnologia preventiva (como MFA, criptografia, antimalware), medidas de deteção (monitorização, alertas) e recursos de resposta (planos de IR, backups), você constrói uma postura resiliente que pode suportar ataques sem falhas catastróficas. Os especialistas em cibersegurança também sugerem avaliações de risco periódicas — como check-ups de saúde para a sua rede — para encontrar novas vulnerabilidades e priorizar correções. Num cenário de ameaças em rápida evolução, é crucial manter-se proativo e adaptável na sua estratégia de segurança. Proteger as cadeias de abastecimento requer uma abordagem abrangente que combine tecnologia, conscientização e planejamento.
Ao implementar estas melhores práticas, os líderes da cadeia de abastecimento podem reduzir significativamente o risco de incidentes cibernéticos e diminuir o seu impacto, caso ocorram. As vozes da indústria são claras: a cibersegurança não pode mais ser uma preocupação secundária nas estratégias de logística e aquisição. Ela precisa ser integrada à seleção de fornecedores, ao uso de tecnologia e à formação da força de trabalho desde o início. A colaboração também é essencial — partilhar informações e padrões de ameaças com parceiros, participar nos esforços de cibersegurança do setor e aprender com as experiências dos colegas aumentará a resiliência geral da comunidade da cadeia de abastecimento. Num mundo onde as cadeias de abastecimento são a espinha dorsal do comércio, construir defesas cibernéticas fortes é tão importante quanto proteger uma instalação física ou adquirir um seguro.
Em última análise, proteger a cadeia de abastecimento digital significa manter a continuidade dos negócios e a confiança. Os clientes e as partes interessadas dependem de uma logística perfeita; uma falha cibernética pode minar rapidamente a confiança. Por outro lado, uma postura de segurança forte pode servir como uma vantagem competitiva, mostrando que a sua organização é um elo confiável e resiliente na rede global de abastecimento. Embora as ameaças estejam a aumentar, a vigilância e o investimento inteligente nas melhores práticas de cibersegurança permitem que os líderes da cadeia de abastecimento naveguem com segurança nesta era digital, garantindo que os bens e os dados continuem a fluir apesar dos desafios. Proteger a cadeia de abastecimento não é apenas uma questão de TI; é um requisito estratégico para os líderes logísticos atuais, e aqueles que o levam a sério serão beneficiados. As empresas que reforçarem agora as suas redes logísticas digitais estarão mais bem preparadas para resistir a futuras tempestades cibernéticas e oferecer valor contínuo aos seus clientes.